quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O ANTIGO TESTAMENTO E O CRISTÃO


O Antigo Testamento na Igreja
Além  do seu status de Escritura Sagrada, o AT é uma obra literária das mais interessantes e valiosas por si só, um objeto digno de estudos intensos e constantes. Parte do seu conteúdo (especialmente as histórias) é do mais elevado nível literário, e muito desse conteúdo ainda gera reações de apreciação espiritual no leitor e proporciona-lhe um meio de expressar as aspirações mais profundas da sua própria alma (como os salmos por exemplo). Tudo isso vale tanto para leitores cristãos quanto para os outros, mas os cristãos têm de considerar ainda o seu status como parte das Escrituras Sagradas da Igreja Cristã. O AT é reconhecido tradicionalmente como o texto sagrado que registra os estágios iniciais do processo contínuo de revelação divina e resposta humana, que teve seu cumprimento em Cristo, sendo o NT o registro desse cumprimento. Quando nosso Senhor afirma que "são as Escrituras que testemunham a meu respeito", (Jo 5:39), ele está se referindo às Escrituras do AT. Quando é dito a Timóteo que "toda Escritura é inspirada por Deus", a referência é aqueles escritos sagrados com que Timóteo estava familiarizado desde a infância - ou seja, os escritos do AT (a propósito, na famosa versão grega conhecida como Septuaginta). Timóteo é lembrado que esses são os escritos "que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus" e que proporcionam uma instrução abrangente e completa "para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra" (2 Tm 3:15-17). Era do AT que os primeiros pregadores cristãos, seguindo o exemplo do seu Mestre, extraíam seus textos. E o faziam de maneira formal e expressa quando se dirigiam a audiências judaicas e de maneira implícita quando pregavam aos gentios (não-judeus). Em outras palavras, não podemos neglicenciar o fato de que nas primeiras gerações da sua existência a unica Bíblia da igreja cristã era o AT, e ela se deu muito bem tendo somente o AT. No entanto, vale lembrar que, quando falamos desse status singular do AT na igreja primitiva, estamos falando do AT interpretado e cumprido por Jesus. Essa interpretação pode ser resumida na afirmação que Cristo e o evangelho são o tema do AT. "Todos os profetas dão testemunho dele (Jesus), de que todo o que nele crê recebe o perdão dos pecados por meio do seu nome" (At 10:43). Os profetas até "investigaram e examinaram cuidadosamente as Escrituras procurando saber o tempo e as circunstâncias para os quais apontava o Espírito de Cristo que neles estava" (1 Pe 1:10,11). Essa compreensão do AT permeia de forma tão ampla e completa os escritos do NT que ela certamente vai além desses escritos até o próprio Jesus, e este é, de fato, o testemunho dos Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João). Ele parabenizou seus discípulos porque eles viviam numa época em que podiam experimentar coisas que profetas e homens justos de outros tempos tinham, em vão, desejado ver e ouvir (Mt 13:15,16 / Lc 10:23,24). Seguro disso, ele submeteu-se a seus captores com as palavras: "Mas as Escrituras precisam ser cumpridas" (Mc 14:49). Hoje em dia a tendência é valorizar mais o NT do que o AT. Entretanto, o conhecimento do AT é necessário para a compreensão exata do NT. Além disso, o NT está de tal modo repleto de citações do AT que o conhecimento deste é essencial e indispensável para todo cristão. Os autores do NT consideravam que o conteúdo da sua mensagem estava organicamente de acordo com a mensagem do AT, a ponto de o AT e o NT poderem ser considerados duas partes de uma mesma sentença, cada parte sendo essencial para a compreensão do todo. Enfim, o NT é o complemento e aperfeiçoamento do AT e não uma Bíblia à parte. Procuremos, pois, por Jesus Cristo em nossa leitura e meditação do AT. Amém!!!

COMENTÁRIO BÍBLICO GÊNESIS 1:1

No Princípio Criou Deus os Céus e a Terra - Gn 1:1
Nestes versículos temos a obra da criação em seu embrião. Sendo o fundamento de toda religião baseado em nossa relação com Deus como nosso Criador, é justo que o livro das revelações divinas, que tinha o propósito de ser o guia, apoio, e regra da religião do mundo, começasse - como de fato começa - com um relato simples e completo da criação do mundo. Este mundo foi, no princípio do tempo, criado por um Ser de sabedoria e poder infinitos, que existia antes de todo tempo e de todos os mundos. Aprendemos com isso quatro coisas: (1) Que o ateísmo é loucura, e os ateus são os maiores loucos na natureza. Porque eles vêem que há um mundo que não poderia se fazer sozinho, e, no entanto, não reconhecem que há um Deus que o fez. (2) Que Deus é o Senhor Soberano de todos por um direito incontestável. Uma vez que Ele é o criador, sem dúvida ele é o dono, o proprietário dos céus e da terra. (3) Que com Deus todas as coisas são possíveis. Portanto, feliz é o povo que o tem por seu Deus, Sl 128:1. (4) Que este Deus é digno de glória e louvor, e é exaltado acima de tudo e de todos, At 17:24-26.
Esta é a parte visível da Criação que Moisés aqui procura explicar. Portanto, ele não menciona a criação dos anjos. Mas como a terra não só possui a sua superfície enfeitada com ervas e flores, mas também as suas entranhas são enriquecidas com metais e pedras preciosas (embora a criação delas não seja mencionada aqui), assim os céus não só são embelezados aos nossos olhos com luminares gloriosos que enfeitam o seu exterior (de cuja criação lemos a seguir), mas por dentro estão repletos de seres gloriosos, fora da nossa vista. Estes são seres celestiais que superam em excelência os astros, assim como o ouro e as safiras excedem os lírios do campo. Quão transcendente então deve ser a beleza do Criador. No mundo visível é fácil observar: (1) Grande variedade. Diversos tipos de seres imensamente diferentes uns dos outros em sua natureza e constituição. (2) Grande beleza. O céu azul e a terra verdejante com seus ornamentos são charmosos ao olhar de espectadores curiosos. (3) Grande exatidão e precisão. Tal obra é mais refinada do que qualquer obra de arte. Há uma dependência mútua de seres, uma harmonia de movimentos, e uma admirável cadeia e conexão de causas. A própria terra em si possui uma força magnética. (4) Grande poder. Foi feito a partir do nada. (5) Grande mistério. Há fenômenos na natureza que não podem ser resolvidos, segredos que não podem ser compreendidos nem explicados. Mas a partir do que vemos do céu e da terra podemos facilmente deduzir a divindade e majestade eterna do Criador: Deus. Deus em toda Sua pessoalidade: Pai, Filho e Espírito Santo. O Filho de Deus (Jesus) estava presente quando o mundo foi feito. Frequentemente ouvimos que o mundo foi feito por Ele e para Ele, e sem Ele nada do que foi feito se faria (Jo 1:3,10 / Cl 1:16).  Que nossa condição e posição, como homens, nos faça lembrar da nossa obrigação como cristãos, que é sempre manter o céu em nossa vista e a terra debaixo de nossos pés. Que pensamentos elevados isto deve formar em nossas mentes a respeito deste grande Deus, de quem nos aproximamos em adoração religiosa, e deste grande Mediador (Jesus) em cujo nome chegamos mais perto!

COMENTÁRIO BÍBLICO GÊNESIS 1:2-31

Os versículos restantes deste capítulo descrevem os seis dias de Criação que moldaram a terra para ser habitada pelos seres humanos. Cada um desses dias, com duração de 24 horas. O Criador poderia ter feito a sua obra perfeita e instantânea a princípio, mas por este processo gradual Ele pode mostrar qual é, ordenadamente, o método de Sua providência e graça. Um caos foi a primeira matéria. Ela é aqui chamada de terra (embora a terra propriamente dita não tenha sido feita até o terceiro dia). Era como uma massa pesada e desordenada. Não havia nada desejável de ser visto, porque era sem forma e vazia. Mesmo se houvesse qualquer coisa desejável para ser vista, não havia luz para vê-la (este caos representa o estado de uma alma desgraçada e pecadora. Há desordem, confusão, e toda obra má). O Espírito de Deus foi o primeiro a se mover. Ele se movia sobre a face das águas que naquele momento estavam misturadas com a terra em seu estado primata. Aprendemos, consequentemente, que Deus não só é o autor de todos os seres vivos, mas a fonte de vida e movimento. A matéria morta estaria para sempre morta, se Ele não a tivesse estimulado. Um poder como este que tirou o mundo da confusão, do vazio, e das trevas, no início do tempo, pode também, no fim do tempo, tirar nossos corpos maus da sepultura, embora ela seja uma terra de trevas como as próprias trevas, e torná-los corpos gloriosos de luz. Luz essa, a qual o mesmo Espírito produzirá em nossas almas escuras por causa do pecado.   No primeiro dia, Deus ordenou que a luz se separasse das trevas e, com isso, estabeleceu o ciclo dia e noite. Esse ato não deve ser confundido com a criação do sol, da lua e das estrelas no quarto dia. Em 2 Co 4:6, o apóstolo Paulo estabelece um paralelo da separação entre a luz e as trevas com a conversão do pecador. Parece que, antes do segundo dia, a terra estava completamente imersa numa camada espessa de água, talvez em forma de vapor carregado. No segundo dia, Deus dividiu essa camada em duas partes: uma cobriu a terra, e a outra formou as nuvens, e entre elas surgiu a atmosfera, ou firmamento. A este firmamento Deus chamou céus, isto é, o espaço imediatamente acima da superfície do planeta (não o espaço estelar, nem o terceiro céu, onde Deus habita). O versículo 20 deixa claro que o céu aqui se refere ao espaço onde voam as aves. Depois disso, Deus ajuntou as águas que cobriam o planeta e fez aparecer a porção seca, criando assim a terra e os mares. Além disso, no terceiro dia Deus fez surgir todos os tipos de plantas e árvores na terra. Somente no quarto dia Deus criou os luzeiros no firmamento dos ceús (o sol, a lua e as estrelas) para iluminarem a terra e servirem no estabelecimento do calendário. No quinto dia, Deus povoou as águas com peixes e a terra, com aves e insetos. A palavra traduzida por aves significa "seres que voam", incluindo morcegos e bichos alados. No sexto dia, Deus criou os animais e répteis. A lei biológica da reprodução aparece repetidamente com as palavras conforme a sua espécie. Há variações significativas entre as "espécies" que compõem a vida biológica, mas não há cruzamento entre uma espécie e outra. A coroa da obra de Deus foi a criação do homem à sua imagem e semelhança. Isso significa que o homem foi colocado na terra como representante de Deus e, de certa forma, partilha características semelhantes com o seu Criador. Como Deus, o homem possui intelecto, juízo moral, poder de comunicação e uma natureza emocional que transcende seus instintos. Não há indicação de semelhança física no texto. Ao contrário dos animais, o homem é não apenas um ser criador (gerador de vida) mas também, adorador. O propósito da procriação humana é a reprodução de seres que sirvam e adorem conscientemente Aquele que os criou. A Bíblia apresenta a origem dos sexos como um ato criativo de Deus (a evolução até agora não conseguiu explicar como surgiram os sexos). Deus poderia ter criado toda a raça humana de uma única vez, assim como fez com os anjos, porém, conforme observou Santo Agostinho, Deus optou pela procriação, a fim de ensinar aos seres humanos a humildade e interdependência mútua, bem como Seu Poder e Sabedoria. Se Deus tivesse criado os homens da forma como criou os anjos, alguém poderia objetar Sua Sabedoria e Poder, indagando mais ou menos o seguinte: "isto é tudo o que Deus sabe e pode fazer?" Mas, louvado seja Deus, que Ele sabe como fazer a ambos de acordo com suas respectivas naturezas, por sinal, bem distintas! Quanto a criação visível, Deus ordenou ao homem o seu cuidado e domínio ao invés do descuido e destruição. A crise atual que afeta o meio ambiente se deve à ganância do homem, bem como ao seu egoísmo e negligência. No início do mundo, os animais eram herbívoros, e o homem, vegetariano. Essa situação mudou após o dilúvio (Gn 9:1-7). Na Bíblia, não se atribui uma data específica à criação do céu e da terra ou à criação do homem. Contudo, o texto apresenta genealogias. De acordo com as mesmas, o homem não poderia ter vivido na terra por milhões de anos, como querem os evolucionistas. Ao final dos seis dias literais da Criação, viu Deus que tudo quanto criou era bom em sua natureza e propósito. Em João 1:1,14; Colossenses 1:16 e Hebreus 1:2 se ensina que o Senhor Jesus foi o agente da Criação junto com o Pai e o Espírito Santo (Gn 1:2) bem como seu alvo. Sendo assim, um dia tudo será nosso se formos de Cristo (1 Co 3:22,23).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

DECLARAÇÃO SAVOY (CAPÍTULO I - DA SAGRADA ESCRITURA)

I. – Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, de tal modo que os homens ficam indesculpáveis, contudo elas não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e de sua vontade que é necessário à salvação; portanto aprouve ao Senhor, em vários momentos e de diversas maneiras, revelar-se, e declarar sua vontade a sua Igreja. E depois, para melhor preservar e propagar a verdade, e para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e a malícia de Satanás e do mundo, aprouve-lhe entregar a mesma para que fosse plenamente escrita. Isso torna a Sagrada Escritura totalmente indispensável, tendo agora cessado aquelas antigas formas de Deus revelar sua vontade a seu povo.
II. – Sob o nome de Sagrada Escritura, ou a Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os livros do Velho e Novo Testamentos, os quais são: –
Velho Testamento
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias.
Novo Testamento
Mateus, Marcos, Lucas, João, Os Atos dos Apóstolos, A Epístola de Paulo aos Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemom, A Epístola aos Hebreus, A Epístola de Tiago, A Primeira e a Segunda Epístola de Pedro, A Primeira, Segunda e Terceira Epístola de João, A Epístola de Judas, e O Apocalipse.
Todos estes foram dados pela inspiração de Deus para serem a regra de fé e vida.
III. – Os livros comumente chamados de Apócrifa, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; e, portanto, não são de nenhuma autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou utilizados senão como meros escritos humanos.
IV. – A autoridade da Sagrada Escritura, pela qual ela deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas única e totalmente de Deus (que é a própria verdade), que é seu Autor; e, portanto, deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus.
V. – Pelo testemunho da Igreja podemos ser movidos e induzidos a um elevado e reverente apreço pela Sagrada Escritura; e a sublimidade do conteúdo, a eficácia da doutrina, a majestade do estilo, a harmonia de todas as partes, a abrangência de seu todo (que é de dar a Deus toda a glória), a plena exposição que faz do único meio de salvação para o homem, as muitas outras excelências incomparáveis, e sua perfeição total, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser ela a Palavra de Deus. Não obstante, nossa plena persuasão e certeza de sua infalível verdade e divina autoridade provém da obra interna do Espírito Santo, que, pela Palavra e com a Palavra, testifica em nossos corações.
VI. – Todo o conselho de Deus, concernente a todas as coisas indispensáveis à sua glória, à salvação, fé e vida do ser humano, ou está expressamente registrado na Escritura, ou pode ser lógica e claramente deduzido dela; à qual nada, e em tempo algum, deve ser acrescentado, seja por novas revelações do Espírito, ou por tradições de homens. Não obstante, reconhecemos ser indispensável a iluminação interior do Espírito de Deus para o discernimento salvífico daquelas coisas que são reveladas na Palavra; e que há certas questões concernentes ao culto divino e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, que têm de ser ordenadas de acordo com a luz da natureza e da prudência cristã, segundo as regras gerais da Palavra, as quais sempre devem ser observadas.
VII. – Nem todas as coisas são, em si mesmas, igualmente claras nas Escrituras, nem igualmente evidentes a todos; não obstante, aquelas coisas que precisam ser conhecidas, cridas e observadas para a salvação são tão claramente expostas e visíveis, em um ou outro lugar da Escritura, que não só os doutos, mas também os não instruídos, mediante o devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma compreensão suficiente delas.
VIII. – O Velho Testamento em hebraico (que era a língua nativa do povo de Deus dos tempos antigos), e o Novo Testamento em grego (que era a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que o Novo Testamento foi escrito), sendo diretamente inspirados por Deus, e por seu singular cuidado e providência conservados puros ao longo de todos os séculos, são, portanto, autênticos; sendo assim, em todas as controvérsias religiosas, a Igreja deve apelar para elas como recurso final. Visto, porém, que essas línguas originais não são conhecidas a todo o povo de Deus, o qual tem direito e interesse nas Escrituras, e que deve, no temor de Deus, lê-las e pesquisá-las, esses livros, portanto, têm de ser traduzidos para a língua comum de cada nação onde chegam, a fim de que, a Palavra de Deus habitando abundantemente em todos, adorem a Deus de uma maneira aceitável, e pela paciência e pela consolação das Escrituras tenham esperança.
IX. – A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e, portanto, quando houver alguma questão acerca do genuíno e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), a mesma deve ser estudada e elucidada por outros textos que falem mais claramente.
X. – O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias religiosas devem ser determinadas, e todos os decretos de concílios, opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos particulares devem ser examinados, e em cuja sentença devemos descansar, não pode ser outro senão a Escritura Sagrada entregue pelo Espírito Santo; nesta Escritura assim entregue a nossa fé finalmente se resolve.



Obs: A DECLARAÇÃO SAVOY FOI A PRIMEIRA CONFISSÃO CONGREGACIONAL DE FÉ

DECLARAÇÃO SAVOY (CAPÍTULO II - DE DEUS E DA SANTÍSSIMA TRINDADE)

I. – Há somente um Deus, vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e perfeição, um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, partes ou paixões, imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, sapientíssimo, santíssimo, totalmente livre, totalmente absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho de sua própria imutável e justíssima vontade, para sua própria glória; amantíssimo, gracioso, misericordioso, longânimo, riquíssimo em bondade e verdade, perdoando a iniqüidade, a transgressão e o pecado; galardoador daqueles que o buscam diligentemente; e no entanto justíssimo e mui terrível em seus juízos, pois odeia todo pecado, e de modo algum inocenta o culpado.
II. – Deus possui, em si mesmo e de si mesmo, toda a vida, glória, bondade e bem-aventurança; e é o único todo-suficiente em si e para si, não tendo necessidade alguma das criaturas que ele mesmo criou, não derivando delas glória alguma, mas apenas manifestando sua própria glória nelas, por meio delas, para elas e sobre elas. Ele é a única fonte de toda a existência, de quem, por meio de quem e para quem são todas as coisas; e sobre elas exerce ele pleno e soberano domínio, para fazer por meio delas, para elas e sobre elas tudo quanto lhe apraz. Todas as coisas estão patentes e manifestas diante dele; seu conhecimento é infinito, infalível e independente da criatura, de modo que, para ele, nada é contingente ou incerto. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus mandamentos. A ele devem os anjos e os homens, bem como toda e qualquer criatura, todo culto, serviço ou obediência que, como criaturas, devem ao Criador, bem como todo o mais que lhe aprouve requerer deles.
III. – Na unidade da Deidade há três pessoas, de uma só substância, poder e eternidade: Deus o Pai, Deus o Filho e Deus o Espírito Santo. O Pai não é de ninguém, sendo nem gerado ou procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai; o Espírito Santo é eternamente procedente do Pai e do Filho. Esta doutrina da Trindade é o fundamento de toda nossa comunhão com Deus, e de todo nosso conforto na dependência dele.



Obs: A DECLARAÇÃO SAVOY FOI A PRIMEIRA CONFISSÃO CONGREGACIONAL DE FÉ

DECLARAÇÃO SAVOY (CAPÍTULO III - DO DECRETO ETERNO DE DEUS)

I. – Desde toda a eternidade, e pelo sapientíssimo e santíssimo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e imutavelmente tudo quanto acontece; porém, de modo tal que nem é Deus o autor do pecado, nem se faz violência à vontade das criaturas, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, ao contrário estas são estabelecidas.
II. – Embora Deus saiba tudo quanto pode ou há de suceder em todas as circunstâncias imagináveis, contudo ele não decretou coisa alguma por havê-la previsto como futura, nem como algo que haveria de acontecer em tais circunstâncias.
III. – Pelo decreto de Deus e para a manifestação de sua glória, alguns homens e anjos são predestinados para a vida eterna e outros são preordenados para a morte eterna.
IV. – Esses anjos e homens, assim predestinados e preordenados, são específica e imutavelmente designados, e seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado e nem diminuído.
V. – Aqueles dentre a humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes que fossem lançados os fundamentos do mundo, segundo seu eterno e imutável propósito, e o secreto conselho e beneplácito de sua vontade, escolheu em Cristo para a glória eterna, simplesmente por sua livre graça e amor, sem qualquer previsão de fé ou de boas obras, ou de perseverança em qualquer um deles, ou de qualquer outra coisa na criatura, como condições ou causas que a isso o movessem; e tudo para o louvor de sua gloriosa graça.
VI. – Visto que Deus designou os eleitos para a glória, assim ele, pelo eterno e mui livre propósito de sua vontade, preordenou todos os meios para se alcançar esse propósito. Por conseguinte, aqueles que são eleitos, achando-se caídos em Adão, são redimidos por Cristo; são eficazmente chamados à fé em Cristo mediante seu Espírito que opera no devido tempo; são justificados, adotados, santificados e guardados por seu poder mediante a fé para a salvação. Nenhum outro é redimido por Cristo, ou eficazmente chamado, justificado, adotado, santificado e salvo, senão unicamente os eleitos.
VII. – Aprouve a Deus, segundo o insondável conselho de sua própria vontade, pela qual estende ou retrai sua misericórdia, como lhe apraz, para a glória de seu soberano poder sobre Suas criaturas, não contemplar o restante e ordená-lo para a desonra e ira por causa de seu pecado, para o louvor de sua gloriosa justiça.
VIII. – A doutrina deste profundo mistério de predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, a fim de que os homens, atentando para a vontade de Deus revelada em sua Palavra, e rendendo-lhe obediência, possam, proveniente da certeza de sua vocação eficaz, se assegurar de sua eterna eleição. E assim, a todos quantos sinceramente obedecem ao Evangelho, esta doutrina fornecerá motivo de louvor, reverência e admiração a Deus, bem como de humildade, diligência e abundante consolação.



Obs: A DECLARAÇÃO SAVOY FOI A PRIMEIRA CONFISSÃO CONGREGACIONAL DE FÉ

DECLARAÇÃO SAVOY (CAPÍTULO IV - DA CRIAÇÃO)

I. – Aprouve a Deus o Pai, Filho e Espírito Santo, para a manifestação da glória de seu eterno poder, sabedoria e bondade, no princípio, criar, ou fazer do nada, o mundo e todas as coisas existentes nele, quer visíveis, quer invisíveis, no espaço de seis dias, e tudo muito bom.
II. – Depois de haver Deus criado todas as outras criaturas, ele criou o homem, macho e fêmea, com almas racionais e imortais, dotados de conhecimento, justiça e genuína santidade, segundo sua própria imagem, tendo a lei de Deus escrita em seus corações, e o poder de cumpri-la; e contudo sujeitos à possibilidade de transgredi-la, sendo deixados à liberdade de sua própria vontade, a qual era sujeita a mudança. Além dessa lei escrita em seus corações, receberam um mandamento para que não comessem da árvore do conhecimento do bem e do mal; o qual, enquanto observassem, seriam felizes em sua comunhão com Deus e teriam domínio sobre as criaturas.



Obs: A DECLARAÇÃO SAVOY FOI A PRIMEIRA CONFISSÃO CONGREGACIONAL DE FÉ